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quinta-feira, 1 de abril de 2010

Dentro de mim.

Nunca senti uma dor tão forte
Como essa dentro de mim
É uma dor viva e rasante
Que parece não ter fim
Não pensei que a verdade
Doesse tanto assim.

Nunca tive tanto medo
Como esse dentro de mim
É um medo que me cala
Nunca sentir algo assim
Acho que não serei o mesmo
Quando isso tudo tiver fim.


José Borges.
,

terça-feira, 30 de março de 2010

Ribeirão do tempo.

Nunca ouve tanta guerra
Nem tão pouca essa preocupação
Parece que é mais uma tragédia
Provocada pela falta de compaixão.

Os cristãos estão sendo crucificados
Como se fosse haver uma purificação
E os vulcões estão sendo esvaziados
Para darem lugar a um novo ribeirão.

Nunca ouve tanta fadiga
Desgosto, ou aflição,
Hoje os pássaros voaram
Cegos, sem direção.

Agora estão por ai dizendo
Que tudo isso é modernização
Até mudaram os códigos da vida
Só para terem o mundo nas mãos.

Onde Deus e Satanás tiverem escola
Pra homem algum não faltará o pão
O problema está no preço a ser pago
Que muitas vezes é a alma de outro irmão.


José Borges.
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Varal.

Tantas histórias de um amor perdido
E em cada conversa algo novo
Como tudo de novo que me aparece
É algo meigo, sério, duvidoso.

Agora sim posso entender
Que os sonhos que sonhei
E as fantasias que inventei
Não serviram de nada pra você.

São 3 horas de manhã
E onde está nosso amor?
Talvez esteja sendo vendido
A qualquer preço, ou até sem valor.

Ainda não sei como fui tão ingênuo
Em pensar que tudo era real
Juro que tive esperanças
Que não fosse outro amor fatal.

Mágicas pra esquecer
Um passado vivo a todo minuto
Varal pra estender
Um rosto alegre e enxuto.

Tantas fantasias que morreram
Por causa de um amor a dois
Tantas histórias que não seguiram
A tradição do feijão com arroz
Tantas conversas que me faltaram
Com a promessa de ficar pra depois.
Mais final do inicio sempre existe a mais...


José Borges.

domingo, 28 de março de 2010

Quando estou contigo.

Venha e sente-se aqui comigo
Vamos olhar quem passa
E vamos ter aquele papo de amigo
Quem sabe é disso que preciso
Pois me sinto seguro quando estou contigo.

Só por hoje vamos celebrar nossa alegria
E vamos regar risadas com lágrimas
Não existe mais razão pra tanta agonia
Por que tudo que me ocorre se torna poesia
E toda poesia que nasce, nasce do dia.

Só por hoje venha comigo
E eu serei teu santuário, teu abrigo.
E tu serás minha semente
Regada pelo meu amor
Amordaçada pela minha palavra
E desconhecida pela dor.


José Borges.


,

Decisões.

Algumas vezes precisamos tomar decisões, e isso acaba sendo bastante difícil. Decidir o que realmente queremos pode até parecer fácil, mas não é. Quem dera que fosse.
Acreditar em nossas ações, e acreditar que elas serão satisfatórias no futuro é muito complicado quando não temos certeza do que queremos fazer e principalmente quando não estamos preparados para tomar quaisquer decisões. O imprevisível sempre ocorre no momento mais oportuno.

Uma decisão é como um simples passo o é problema que ela tanto poder ser algo positivo, como um passo para frente, ou negativa como um passo para trás. Uma queda nesse caso seria o mesmo que não tomar decisão alguma.

Um ser humano normal acreditaria que tudo pode ser visto como realmente nos aparenta, um homem dedicado acredita sempre que possa existir algo mais.



José Borges.

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terça-feira, 23 de março de 2010

Como se fosse eterno.

Deixe-me ir
Preciso seguir meu caminho
E lhes peço para não me seguir
É tão bom descobrir algo novo
Por isso quero ficar sozinho.

Nem preciso de muito tempo
Apenas de um segundo
Mas desde que seja o último
Eu o farei como se fosse eterno.

Vem, vem comigo vem,
Mas vou logo avisando
Eu não choro por ninguém
Vem, vamos até o fim,
Na procura de algo certo
Ou quem sabe em busca de mim.


José Borges.

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sábado, 20 de março de 2010

Esperando palavras.

Algumas pessoas são mais fáceis de amar
Nossa mãe, nosso pai, nossos irmãos
Pra eles é fácil dizer eu te amo
Pra eles é fácil dar as mãos.

Algumas pessoas aprendemos a amar com o tempo
Quando o convívio se torna muito antigo
Pra essas pessoas também se diz eu te amo
Mais o amamos como nosso amigo.

Mais há pessoas que descobrimos o verdadeiro amor
Com elas vêm os sonhos e a felicidade
Com elas esquecemos a dor
Pessoas a quem amamos de verdade.

Pra essas pessoas também se diz eu te amo
Muitas vezes precipitadamente
Pois ao passar do tempo
Esse amor some de repente
Assim transforma-se o coração
Em um escravo inocente.

Se essas palavras vierem um dia
Espero ainda estar aqui para escutar
E se elas vierem que sejam verdadeiras
Para que possa ter valido a pena esperar.



Juan Patrick.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Sem Fazer Milagres.



Eu já fui cinema
Agora sou livro
Já fui caneta
Hoje sou borracha
Já contei histórias
Hoje mal escuto.

Já entreguei segredos
E escondi bobagens
Já fui sincero
Já mudei paisagens
Hoje sou agonia
Sou a saudade
Eu era criança
Que não tinha idade.

Eu já brinquei de errar
Já viajei pelo espaço
Fui até além do mar
E hoje só tenho cansaço
Já dormi acordado
E hoje estou cego
Já fui herói
E hoje isso me dói.

Eu fui um deus
Sem seguidores
Sem fazer milagres
Eu já andei sobre as águas
Já corri muitas léguas
Já ressuscitei lendas
Mas não pude deixar de morrer
Hoje sou apenas uma estrela
Num infinito longe de você.



José Borges.

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sexta-feira, 12 de março de 2010

Amor Perfeito .



Será que é certo fazer planos
E ficar imaginando histórias?
Será que é bom acreditar nos sonhos
E esperar que o tempo resolva?

Será preciso ter desejos proibidos
Ou o certo é ser livre da verdade?
Ao que parece nada é conveniente
Mas todo pedaço tem sua metade.

Escrever histórias de amor perfeito
É obrigação pra quem não é amado
Acreditar nos sonhos da vida
Pode ser um pouco complicado.

A beleza pode ser bela
Mas é extremamente fugaz
Um amor pode ser tudo
Mas quem ama, sempre quer mais.

E se amanhã os sonhos se desfazerem
A verdade pode ir junto ao silêncio
E os segredos serão algemados ao medo
Mas o amor estará nas mãos de um beijo.

E para os amantes vale tudo
Um copo de champanhe ou um olhar
Um céu estrelado ou um quarto fechado
O importante no amor é apenas amar...


José Borges.

terça-feira, 9 de março de 2010

Mundo infantil.



Gira mundo infantil
Distorce a ilusão em lágrimas
Motiva os boêmios da noite
Pois todos querem algo pra falar.

Gira em torno das estrelas
Mas não as subestime
Nem queira ser tão coerente
Pois tudo pode mudar.

Gira moinho de vento
E em cada movimento
Trás um pouco da razão
Mostre-me a verdade sem erro
Ou tudo isso não terá solução.


José Borges.

domingo, 7 de março de 2010

Pequeno verso.

Pra se fazer verso não se precisa de muito
Apenas de um pouco de tempo
Pra fazer um verso é simples
Basta rimar chuva com vento
Ou deslizar as palavras pelas bordas
E assim ir seguindo o pensamento.

Pra se fazer versos é preciso fé
Mas não acredite no comum
As rimas são ondas ferozes
Que muitas vezes,
Não nos leva em lugar nenhum.

Pra se fazer verso é assim
Agente pouco começa
E ele já rima com o fim.



José Borges.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Pedaços de Vida.


Vai para longe tempestade
Tenha piedade de meus espelhos,
Não se aproxima da minha janela
Pois tua força poderá quebrá-los
E se isso acontecer tudo estará perdido
Inclusive o teu reflexo mesmo que denso.

Espero que a viagem seja simples
E que a noite não seja tão árdua
Vai forte vento que destrói o silencio
Desbrave as trilhas do tempo
E perdoe a todos que lhe opuserem
E não quebre os teus espelhos.

Vai para longe de mim tempestade
Tenho medo que você me quebre
Pois, mesmo não sendo espelho de vidro,
Também reflito aquilo que vejo.

E se por ventura eu venha a quebrar
Que seja por motivo desconhecido.
E que sobrem pequenos pedaços de mim
Pois quero continuar refletido em cada espaço
Pois assim nem a sombra do abismo
Nem a dor do futuro me será surpresa
E eu farei parte do vento
E serei tempestade
E serei tudo, serei metade...


José Borges.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Ironia.

Porque tudo caiu de uma vez?
Porque tudo de uma vez?

Porque tenho que fingir um sorriso, para disfarçar como realmente estou?
Porque me sinto sozinho mesmo estando sempre acompanhado
Porque tenho que esperar uma pessoa que nunca me esperou?
Porque tudo esta assim? Porque tudo mudou?

Como posso viver assim
Minha casa esta em guerra, minha vida esta vazia
Cansado de esperar
Cansado de tanta agonia
Pois de nada adianta amar
Se esse amor é uma ironia.

Agora acordo esperando mais brigas
Acordo e desejo dormir de novo, ou viver de olhos fechados
Pra que o medo não chegue, pra não ver meus olhos no espelho
Assim não lembro o que fiz, não lembro os meus pecados.

Mesmo assim vou viver
Ainda assim vou chorar
Mesmo sem paciência
Vou paciente esperar
Pra quem sabe um dia
Meu amor possa me amar.



Juan Patrick.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Desejo Sagrado.

Sexo falado
Desejado, acochado
Sexo paixão, infantil ou não,
Desejo sagrado, pecado da carne,
Salvação da alma serena
Pequena história,
Sexo razão.

Amor fechado
Estranho sussurro,
Ciúmes do vento
Que suspira ao ouvido
Que suspira a todo instante.

Amor sem sexo,
Sexo sem amor
Pecado da alma
Salvação de pecador
Aflição e coragem
Alegria e dor.

Paixão de medo.
Alma sem cor.
Desejo sem encontro
Agora já é partida
Olho e não vejo ardor.

Coisa que agente não sabe
Coisa que agente gosta
Coisa que agente precisa
Coisa que agente come
Coisa que agente perde
Isso tudo agente sempre esconde...

Por quê?



José Borges.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Nem tudo vale a pena.

Não quero ultrapassar fronteiras
Nem vou me envolver em guerras
Pois nem tudo vale a pena.

De quê adianta tanta confusão
Se o que nos espera é uma interrogação?
Não quero mudar minha rotina
Nem vou me curvar diante de ti.
O chão está sujo demais.
Por onde você andou?

Nós estamos tão próximos, paradoxos.
Dois completos mundos, pequenos.

E hoje a guerra no peito
A alma pairando
O corpo cansado
A mente pensando
Os cabelos caindo
E a vida passando...

Não quero amar outra vez
Quero amar como se fosse a primeira vez que amo.
Sendo assim o amor será um mistério
E será delicioso, e puro, ingênuo e preciso...



José Borges.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Quem é capaz?

E mais uma vez me questiono
Imagino quem fui, quem sou, e o que serei
Tenho recordações duvidas e planos
Mais estou certo que nunca me entenderei.

Quem é capaz disso
Quem conseguiu tal proeza
Acho que sem a duvida ninguém vive!
Como dizem ’’a duvida é o preço da pureza’’.

O que me reserva o destino?
Como serão meus dias?
Talvez noites de chuva
Talvez madrugadas frias
Mais ainda espero que com as lutas
Venham também muitas alegrias.


Juan Patrick.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O Exemplo errado.

Sinto que as noites já não são mais tão violentas
E que as estrelas me olham com um jeito mais sincero
Olham-me como eu fosse parte delas, e eu as nego.
Tenho medo em acreditar na minha própria visão
E a noite vem, e se vai, e tudo parece mudado.

Amanhece em mim um novo dia
Mas percebo que esse é um dia estranho.
Eis um dia escuro e violento.
Quão triste está o céu
Está triste com as estrelas
Elas estão em guerra
E espadas de luz cortam o céu
E cai sobre mim um sangue azul
Que me cobre o rosto como se fosse meu sangue
E as estrelas continuam em guerra.

Agora sei o porquê que elas me olhavam estranhas
Elas sabiam que eu seria a única testemunha
Eu seria aquele que viu o céu sangrar
Mas mesmo assim não poderia fazer nada
Agora sei que estava certo em negar as estrelas
Talvez desde o início elas quisessem me usar.

Anoitece, e para onde eu olho só vejo escombros,
Ouço algumas estrelas agonizando, e morrendo,
Corpos espedaçados pelas espadas ditas divinas
Feixes de luz que rapidamente se apagam
E tudo parece realmente está mudado.

As noites hoje já não têm estrelas brilhando no céu
Pois as que não foram mortas, estão apagadas,
E o céu já não é mesmo que foi um dia
Ele também foi ferido e magoado, hoje vive escondido,
Creio que tenha medo das estrelas e das espadas.

E assim aconteceu que as estrelas invejaram os homens
De tanto elas os vêem praticando seus jogos.
Inocentes estrelas que agora estão como seus ídolos
Mortas, espedaçadas ou feridas,
E as que sobraram também serão coroadas
Com a honra de serem esquecidas...



José Borges.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Universo

Estou te escrevendo caro universo que habito
Pois preciso muito lhe cumprimentar
Sei que nem todas as palavras que conheces
Serão aqui utilizadas, pois sou falho em letras
Assim como sou falho em quase tudo que pratico
Porém, receba minhas linhas com carinho
Elas têm total admiração pela perfeição
E tu eis o grande mundo dos mundos
Eis perfeito como a sombra de minhas palavras
Palavras que ecoam dentro de mim
E que seguem um rumo em busca do desconhecido
Que buscam assim como eu um abrigo
Universo que me engole como se eu fosse um vinho
Universo que transborda alegrias infinitas
Preciso de teu abrigo mais secreto
Estou fugindo da fera das montanhas
Estou fugindo de mim mesmo
Já faz dias que procuro um lugar
Mas só encontrei este papel e este lápis
E apenas um endereço certo: a imensidão
Estou cansado e ferido com um simples animal
Carente de tudo inclusive de mim mesmo
Sou tão falho no meu silêncio
Que nos meus sonhos esvoaçam gritos pela amplidão
E meus gemidos de dor são como estas letras
Distorcidas, imperfeitas, incorretas e estranhas
Por isso te escrevo, perdoe meus sonhos
Perdoe minhas letras e também minhas palavras...


José Borges.

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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Vida Real.

Tudo esta tranquilo
Tudo em seu lugar
Quem sabe agora seja a calmaria
Quem sabe eu possa descansar
Sem preocupar-me com os medos
Que parece que decidiram se afastar.

Agora não tenho mais pressa
O tempo agora é meu amigo
Talvez nada de ruim aconteça
Talvez não aja mais perigo
Encontrei o descanso pra minha cabeça
E pro coração encontrei abrigo.

Agora posso dormir
Agora posso sonhar
Sem ter medo de pesadelos
Sem ter medo de chorar
Vou seguir aqueles velhos conselhos
E pra sempre vou te amar.

Mais espere o que aconteceu?
Abri os olhos e tudo se desfez
Já entendi, voltei pra vida real
Estava sonhando outra vez.


Juan Patrick.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Estranha direção.

Relembrando o passado sentado num recanto
Começo a pensar naqueles que me olhavam
Hoje estão tão distantes assim como eu
Assim como eu ando triste e tropeçando
Meio abandonado e procurando chão
Lembrando o que esqueci há tempos
Caminhando numa estranha direção.

Sou capaz até te lembrar lembranças mortas
Paginas de historias que escrevi em vão
Momentos e horas passadas em pleno cansaço
Num estresse fatal que me levou ao que sou
Ao vazio que me sobrepõe sem razão
Ao vínculo ditado entre o sol e a luz
Entre o calor e frio da noite
Como se eu carregasse uma cruz.

Pensando em como evitar o futuro
Concluo que o melhor é enfrentá-lo
Mesmo que eu esteja sem armas
Não posso sempre querer fugir
Preciso ver de perto a dor da batalha
Precisa sentir a navalha no coração
A solidão me mostrou o quanto tudo vale a pena
Não existem motivos pra minha aflição
Os caminhos novos que aparecem
Me mostram uma nova direção...


José Borges.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Folhas secas.

Enquanto à noite chega, as folhas caem
E o chão fica recheado de coisa morta
Coisa velha e sem cor
E eu piso nesse chão como se duvidasse
Duvidasse que ele estivesse morto
E piso nestas folhas mortas
E morro de medo de pensar
Que elas tiveram vida
Mas a noite chegou, adeus vida.

Vejo um caminho feito de pedras
E nas pedras as sombras
E nas sombras as lágrimas
E nas lágrimas a saudade
E na saudade o amor
E no amor a esperança
Que a noite não chegue
E no silêncio o aviso
E no aviso as folhas
Todas mortas.

No alto dos galhos não sobrou nada
Até as pequenas folhas caíram
Vieram para debaixo de meus pés
E eu sem medo e sem querer
Esmaguei-as como se fossem meu amor
Sem querer era amor
Amor pelas folhas secas
Folhas vivas que não quis notar
Caminhos distantes de mim
Folhas mortas por mim
Noites esperadas em silêncio
Como medo da chegada do fim.

E o fim veio, ficou e passou
E o inicio passou, veio e ficou
E o instante ficou, veio e passou
Assim como as folhas mortas do quintal
Ou como a aperto de mão na noite de natal
Folhas que piso e que mato
Folhas mortas que piso
Secas, mortas
Só isso...


José Borges.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Antes de você.

E agora o que será?
Haverá cura para teu ferimento
Ou você vai deixá-lo assim,
Exposto como o teu silêncio?

Será que está bem?
Espero que diferente de mim
Pois estou em lágrimas
Numa nascente sem fim.

Onde está você nesse momento?
Nem atendeu ao telefone
Será que não está mais sólida?
Sempre que acho, você some.

Aonde que o vento te levou?
Para onde ele levou teu cheiro
Que era tudo que me restava
Teu cheiro, passageiro.

E agora o que será?
Quem vai ler meus gestos
Quem vai te aconselhar
Onde iremos guardar nossos objetos?

O que será?
Agora você não é como antes
Nem o vento que te levou será o mesmo
Talvez o amanhã fique mais distante.

O que irá fazer agora?
Alguns amigos não são os mesmos
Acho que nunca foram
Quem ditará os termos?

E agora o que será?
Será como antes de tudo
Como está sendo agora
Ou será apenas futuro?


José Borges.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A névoa.

Vá com calma meu senhor
Pode ser que esse não seja o seu trem
Sente-se mais um pouco nesse velho banco
Há muito tempo que nele não senta ninguém.

Tenha paciência sei que precisa partir
Sei que há muito tempo queres fazer isso
Só peso que deixe pelo menos tua lembrança
Sei que sua pele está velha e cansada
Que seus cabelos estão brancos
Brancos assim como a névoa da madrugada.

Tenha paciência ainda precisamos conversar.
Lembra de quando eu me perdia nas palavras?
Lembra de como eu gostava de ficar em silêncio
Pois em silêncio eu podia ouvir melhor seus ensinamentos
Pois eu era o aluno que ficava em silêncio.

Deixe-me sentar-se ao seu lado
Vou esperar que a máquina cheque
Vou esperar que a máquina passe
Vou ficar sentado nesse banco
Por que nem quero lembrar sua ausência
Quero apenas lembrar suas mãos em minhas mãos
Prefiro não ver mais as madrugadas
Elas me lembram algo estranho
Elas me lembram o fim.

A luz está cheia e as noites vazias como eu
Meu velho, meu velho e velho, o que sobrou
Hoje não durmo mais sem antes chorar
Será que alguém já esqueceu?
Largue aquele lenço encharcado de lágrimas
Deixe o tempo sana sua alma
E deixe sua alma leve como o vento
Ouça, mas tudo bem são meus passos nas escadas.

Olhe, agora é minha vez
Já demorei demais nesse banco
Ouço que meu trem se aproxima
Assim como tu fizestes um dia meu velho
Eu também estou com as madrugadas na cabeça
Foi tão rápido o ontem, o hoje, o amanhã.
E antes que eu esqueça
Obrigado pelas flores
Meu velho.


José Borges.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Nada mudou.

Hoje deixei um pouco de lado a maquiagem do dia a dia
Deixei meu tempo livre, só pra lembrar verdadeiramente quem sou
Agora estou certo que tudo tem seu lado ruim
Tudo mascarado, nada mudou.

O que me remete pensar?
Sé nem o que penso sou capaz de entender
Sou culpado por ter tanta imaginação
Mais inocente pó não há desobedecer.

Acordado imagino
Porque as palavras me trazem dor
Talvez por culpa do destino
Talvez por culpa desse meu amor.


Juan Patrick.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Velho amigo.

Ah que saudade do meu velho amigo
De horas tantas, em pleno sol
De horas tantas, em plena noite
Onde está você agora meu amigo?

Será que é verdade que você me deixou
Por que faz tempo que agente não conversa
Por que faz tempo que não percebo teu silencio
Será mesmo que você me deixou?

Sinto saudades do teu riso franco
Das tuas horas tristes
Das minhas horas tristes
Onde está aquele velho sorriso franco?

Ah meu amigo, a onde fostes?
A meu velho, porque fostes?

Se ainda me entender lembre comigo
Lembre de como agente se divertia
Lembre de como você me divertia
Será que você não que mais papo comigo?

Lembre-se que eu enxuguei tuas lágrimas
Fui teu melhor amigo e você meu melhor mundo
Fui tua sombra, e você foi meu tudo
Será que você está derramando lágrimas?

E agora, será que tem alguém assim como eu
Para te ajudar, te secar o rosto
Para te tocar, e sentir o teu rosto
Eu seria tua carne, mas o que seria meu?

Meu velho amigo cadê nossos sonhos
Será que eles se foram assim como as estrelas
Será que você está sozinho vendo as estrelas
Ou será que as estrelas são nossos sonhos?

Meu irmão, meu amigo, meu sacrifício
Meu chão, meu céu, meu mar
Meu orgulho, meus olhos, meu inicio
Meu signo, meu sangue, meu sonhar
Onde será que vive esse velho amigo
Que até hoje nunca consegui encontrar?



José Borges.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Você na lista.

Antes que você pudesse acordar
Alguém já tinha traçado seu dia
Ditaram regras, coisas desse tipo
Antes que você pudesse respirar
Eles poluíram sua mente de bobagens
Enviaram-lhe até mensagens
Antes que você pudesse acordar.

Isso tudo fizeram apenas pra chamar atenção
Queriam ter audiência, é isso na televisão
Nem ligam para o que você escreve
Eles não querem saber de literatura futurista
Querem apenas aditar a lista
Escolher os vencedores antes da largada
Eles querem muito mais do que somos
Eles nem saíram e já estão na linha de chegada.

Pra quê querer saber por que o lixo na rua
Lá também vivem outras coisas
Nós também moramos por lá
Não nós no sentido eu, tu, ele
Nós no sentido homens, mulheres...
Velhos, crianças, cachorros, aparelhos de TV
Todos no lixo, todos assim como você.


José Borges.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Palpite meu.

Se você acha que não é assim
Pare de pensar em como continuar
Se já sabe como será o fim
Pare de adivinhar o que ninguém sabe
Você também sabe tão pouco sobre mim.

Olhe, veja o céu
É um céu rajado de estrelas
Pequenas, cercadas pela escuridão
Olhe, veja aquela sou eu.

Arrisque um palpite sobre o que quero dizer
Pense em qualquer coisa, num avião
Ou num velho fogão a lenha
Pense em como é difícil de entender.

Se você acha que isso não é normal
Vá mais a frente, na loja da esquina
Estão anunciando liquidação
E você pode até sair na capa do jornal.

Olhe, sinto o ar que passa nesse momento
Escute o som do vento, da música do tempo
Sinta como esse momento já passou
E que as lembranças são águas passadas
E as poesias são letras aglomeradas
Num lenço que alguém usou...e jogou.

José Borges.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A aventura acabou.

Enquanto a sombra se esconde
A luz ganha maior espaço
Enquanto a noite se vai num vôo rasante
O dia não chega a dar nenhum passo.

Por motivos alheios ao saber
O pássaro quis levantar vôo
Partiu para longe sem nem saber
Com coragem e com cara de quem nunca errou
Voou alto e firme por entre as frágeis nuvens
Mas em um instante a aventura acabou
Era o vento chegando e logo tudo abalou.

A cada instante tudo fica mais claro
Os seres das trevas não podem sair
A luz apaga o rastro da fumaça
De um trem velho que passou por aqui.

O tempo cala-se quando vê a imensidão
O infinito perturba a meiga ilusão
Já o instante satisfaz a triste escuridão
Que a muito não via sua própria razão.



José Borges.

Vou trancar tudo.

Dane-se louca paixão
Não quero saber de leis
Nem de códigos
Não queira me ensinar a amar
Eu sou o amor.

Caia fora da minha área
Ninguém pode invadir aqui
Só existe espaço pra um cara
E nem tente mentir
Esse cara sou eu.

Com licença mais preciso sair
Já ta na minha hora
Tenho que partir
Mas nem ouse entrar
Vou trancar tudo
Eu sou tudo.

Espero que entenda
Não faço isso por mal
É que sou assim
Um pouco emocional
Um alguém fatal
Eu sou animal.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Um fim não é o final.

Ouça-me por um instante
Minhas palavras não são espinhos
Nem flores, e nem promessas
Meus olhos não são caminhos
Minhas idéias podem estar inversas
E tudo que te digo pode não ser real
Talvez nem as certezas sejam certas
Quem sabe o fim não seja o final.

Em pouco tempo
As águas não irão mais correr
Os ventos não irão mais soprar
O infinito talvez nem venha a acontecer
E o silencio nem queira incomodar
Quem sabe alguém esteja esperando
Um raio de luz no céu passar
Mas acreditar em milagres
É algo que não consigo imitar.

Deitar-se sobre cobras no verão
Sei que Todos querem curtir o sol
Mas por que não respeitam a lua?
Vejo a lua como o único farol
Vejo a lua como se fosse uma deusa nua
Vou em direção ao seu lugar
Encontro apenas uma verdade crua
De que quem tanto tenta ser único
Perde-se por qualquer rua.

Olha rápido para o céu
É um pássaro que passa devagar
É uma gota de chuva que cai
O triste é saber que ela vai evaporar
Preste atenção nas nuvens
Notem que elas compõem uma canção
Parecem sinos no céu
E seus sons transmitem emoção
Pra quem conhece a dúvida
Não vou render explicação.


José Borges.