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sábado, 31 de julho de 2010

Certo amor.



Amor covarde
Amedrontado,
E besta.

Amor de Marte
Universo inteiro,
Lugar nenhum.

Amor sem arte
Incensado,
Não presta.

Amor sem nome
Órfão de tudo,
Quase comum.


José Borges.
,

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Triste desejo...



Anjos, onde estão,
Porque me largaram aqui?
Não vêem que estou cansado
Já cansei que fugir
Tristeza porque me abraça
Já não roubaste tudo de mim?

Saudade seja piedosa,
Espere por favor,
Logo eu estarei junto
Ao meu grande amor,
Tristeza porque me bate
Já não me causaste tanta dor?

Desejo tarado, suado,
Não é bom se revelar
Paixão louca, ferida,
Tão grande quanto o mar
Tristeza porque chora
Já não tem forças para lutar?

Amor não fuja
Ainda a muito a se provar
E por mais que seja triste
Será o certo se calar
Amor não reclame
Outro sol vai se mostrar
Tristeza porque não some
Já não acaba de me matar?

Solidão amarga
Suave veneno de arder
Amigos perdidos
E outros a se rever,
Desculpas fajutas
Pra quem não sabe o que dizer
Tristeza, enfim me ame,
Já que a muito amo você...


José Borges.
,

Alem da eternidade.







A eterna essência
A eterna paixão
Sem dor nem carência
Sem sobras nem escuridão
É assim o amor
Do meu humilde coração.

Um sorriso facinho
Que me faz respirar
Viver ao teu lado
E contigo sonhar
Esperando o amanhecer
Pra poder de novo te encontrar.

A minha felicidade
Meu eterno amanhecer
A flor que perfuma
E que me faz perceber
Que teus braços me mostram
O que de verdade é viver.

Não importa minha idade
Em que hora ou lugar
Você e minha outra metade
E muito alem da eternidade
Pra sempre vou te amar.


Juan Patrick’

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Paura e silenzio.



Il mio silenzio.
Quanto grande è questo silenzio.
Il silenzio che mi circonda
La risposta a questa speranza.

Le foglie fanno rumore
ma il silenzio non si cura,
La paura diventa l'orgoglio
E l'orizzonte si apre una porta.

Inserisco il bivio
Che vengono a modo mio.
I deliri sono scherzi
Sono ragazze giovani senza preoccuparsi.

La vita non vale niente.
Il silenzio è che va bene qualsiasi cosa.
Il vento va e viene,
E 'il momento speculare il futuro.

È reale?
E 'naturale?
La paura e il silenzio
Fa male?

Forse un desiderio per il futuro
Essere la soluzione migliore,
Forse l'amore è un po 'duro
Ma per questo vi è una passione.

Passo ore in chiaro
Volendo dare un'occhiata,
Un pezzo di mela
Avvelenata dalla luce della luna.

Il silenzio che esiste oggi
Per esisteranno sempre.
La paura che io insisto
Non mi farà cambiare.

Quanto maggiore è l'amore
Grande sofferenza.
Quando il dolore feroce
Grande insoddisfazione.

Chi ama non soffre perché ama
Soffre di non essere amato.
Chi non ama la mente
Così muore amareggiato.


Idioma: Italiano.
Autor: José Borges.
Tradução: Medo e silêncio - Pesquise no Blog.

Outra vez sozinho.



Hoje é mais um dia chato
Desses que não dá pra agüentar
Vou andar sozinho
Não quero ninguém
Pra me acompanhar
Hoje vai ser melhor
Dormir sem sonhar.

Te peço migalhas;
Preciso sobreviver.

Pela janela vejo
Milhões caminhando
Vejo fantasmas,
E velas soprando
Hoje estou sozinho
E te vejo passando.

E se quiseres partir
É melhor me esquecer
Hoje é mais um dia
Como outro qualquer
É mais uma aventura
Bebo mentiras com você.

Hoje serve qualquer papel
Hoje quero te escrever
Sem receios e sem medos
Hoje quero me perder.

Todos me olham
De certo desprezo,
E eu sou olho você,
Mesmo tão próximos
Falta algo acontecer
E hoje é mais um dia
Desses difíceis de viver.


José Borges.
,

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Deixe tudo acontecer.



Faça uma lista com tudo que você mais quer
Escreva poemas românticos
Seja fera, homem ou mulher,
Escreva uma mensagem de carinho
E rabisque no cantinho
O nome do que quiser.

Faça juras sigilosas
Dessas que ninguém pode saber
Anote os recados e deixe
Qualquer coisa acontecer.

Como se fosse preciso
Deixe a nuvem descer
Não tenha medo algum
Confie em você,
Acredite que o amigo
Qualquer dia vai entender.

Deixe o sol nascer sublime
Para iluminar nosso dia
Deixe tudo como está
Pode vestir tua fantasia.

Faça como nunca fizeste antes
Como se fosse à última vez
Abrace teu irmão
Perdoe o que ele te fez
Dance o último compasso
Curta essa estupidez.

Faça tudo, e tudo faça,
Ninguém pode lhe impedir
Só não esqueça que os outros se vão
E eu pra sempre estarei aqui.


José Borges.
,

terça-feira, 27 de julho de 2010

Deixa assim...




Deixa nossos cadernos jogados, assim como se não mais precisemos deles.
Deixa-me te revelar segredos, histórias.
Deixa a noite serena te tocar, abrace-a como se fosse a mim.
Sinta o perfume dos bosques, pois será minha essência a todo instante.
Sinta o toque suave do vento, que será minha maneira de ser eterno ao teu lado.
Deixa que as aves voem alto, lá estarei eu.
Deixa minha dor antiga guardada, será melhor.
Deixa o sol entrar pela janela e nesse momento, sinta minha presença como se fosse o brilho da manhã.
Vá ao jardim, beije as flores, elas serão meus presentes para ti.
Saia à noite e olhe pro céu, porque eu serei toda a estrela, assim como todos os mares, como todos os sóis.
Deixa de querer ficar triste, eu não estarei ausente.
Se sentires falta de mim, feche os olhos e me verá dentro de ti.
Eu serei teu ar, teu chão.
Deixa nossos velhos planos de lado, eles agora não irão fazer a menor diferença. Esquece minhas mancadas, perdoe minhas bobeiras.
Deixa que tudo se acerte, e por fim... Deixa eu te dizer: te amo.


José Borges.

sábado, 24 de julho de 2010

Simplesmente amor...


Amo-te hoje
E também amanhã,
Amo-te agora
Como antes amei
Amo-te tanto
Que jamais saberás
Amo-te por inteiro
Como nunca fui capaz.

Amo teu jeito
Teu meigo balançar,
Amo tua voz
Teu jeito de brincar
Amo teu perfume
E teu modo de andar.

Amo teu corpo
Que me deixa louco
Amo teus olhos
Tão pequenos
Infantis...

Amo-te não por querer
Amo-te por amar simplesmente.
Amo tuas manias
Tuas bobagens e mais:
Amo tuas orelhas
Teus discursos orais.

Amo-te se não já estaria morto.
Amo-te tão imensamente,
Um amor maior que o universo.


José Borges.
,

terça-feira, 20 de julho de 2010

Eu amava assim ser.



Eu amava teu desenho
E teu rosto abstrato,
Adorava teu reflexo
E teu beijo estabanado
Assim como a onda,
Eu amava teu balançado.

E onde você for
Vai pensar na gente
Vai lembrar desse amor,
Eu fui teu espelho
E você meu refletor.

Eu amava teus sorrisos
E teus poemas lilás,
Misturava cores
E não ti via mais,
Porém veio a chuva
E também os vendavais.

Eu amava teu nome
E teu modo de escrever,
Desejava teu corpo
E me escondia de você
Só não queria hoje,
Eu amava assim ser.

E aonde chegar
Pense com cuidado
Olhe onde vai pisar,
Eu amava teus olhos
E hoje não posso enxergar.


José Borges.
,

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Um breve último...



Aos papeis engavetados
E as canetas já sem cor
Aos únicos profetas
Que atravessaram a dor
Aos meigos abraços
Que dispensaram o amor.

Aos pobres ateus
Que não quiseram crer
Ao filho do pai
Que mãe não pode ter
E aos velhos cansados
Que não cansam de ler.

Aos jovens perdidos
E aos crimes fatais
A fome que domina
E aos céticos carnais
Aos bons momentos
Que não voltam jamais.

Aos antigos amores
E a eterna paixão
Aos versos embriagados
Pela falta de razão
E a dádiva do Nilo
Pela sua gratidão.

Aos jagunços maldosos
E aos tantos cruéis
Aos pretos feridos
Pelos seus coronéis
E aos dízimos entregues
Pela crença dos fiéis.

Aos beijos roubados
E aos beijos perdidos
Aos olhares passados
E aos olhares esquecidos
Aos segredos guardados
E aos segredos dizidos.


José Borges.
,

terça-feira, 13 de julho de 2010

Quando tudo começa.



Já não suporto mais essa insônia...
...esse caos todo dentro da noite.

Não agüento mais toda essa dor...
...feita faca que corta.

É tão escuro o céu...
...tão cheio de estrelas que me olham,
E eu nada posso dizer
É sempre um encontro calado
Apenas alguns gestos
Que não consigo esquecer.

Já vejo chegando à noite...
...é quando tudo começa.

Minha solidão grita alto...
...e me sufoca o desespero.

E logo estou ali...
...quem sabe ainda vivo,
Ainda que tarde pra voltar
Mesmo ferido e triste
Com um amor que persiste
E não se deixa acabar.

Quem sabe não seja bom...
...mas se faz melhor que sonhar.


José Borges.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Meu nascer do dia.



Amanheceu, e logo começo a imaginar: penso em tudo.
E a cada minuto que se passa, aumenta ainda mais essa insatisfação.
É como um raio de luz que me desperta e que atravessa meu corpo frágil e frio já desgastado pela noite.

Ouço timidamente o ecoar do canto dos pássaros, e abro a janela. Lá estão eles, me olham como quem estivesse querendo me levar.
E vou, com os pés no chão e com a mente já bastante infeliz.
Embora eu ainda faça um gesto, um sorriso, não quer dizer que estou precisamente feliz. Nem sempre estou satisfeito...
E passa horas, e passa o vento, e passa pessoas e fico aqui. Agarrado ao presente – por temer meu futuro – mas ainda acreditando que tudo muda.

O sol já está alto, e ainda não tive coragem de sair pra rua. Meu medo me toma. Meu olhar diz que não posso virar o rosto. O que será que deixei pra trás? Amor, ódio. Talvez. E quando eu acordar do outro lado do universo, onde estarão os pássaros, onde estará o sol? Onde eu estarei; em que rosto, que corpo, em que lembrança?

Amanheceu e eu nem pude curtir meu uísque, nem meus amigos.
Nem mesmo a amada que me esperava na esquina
Nem mesmo encontrei-me. Pedi esmola para alguns mendigos.
Amanheceu e não tive nada o que comemorar, além de tudo ainda estou dormindo...


José Borges.
,

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Será você?



Hei amigo, aonde vai essa hora?
Não ver que está tarde, o que vai fazer?
Hei amigo me escuta; já vai anoitecer,
Você não sabe o que irá encontrar lá fora
E se encontrar sabe o que será de você?

Hei amigo venha agora,
Não podemos atrasar
Hei amigo me perdoe
Sou insistente pra danar
Mas não quero ver sangue
Nem me ver chorar.

Hei amigo já esqueceu?
Lembra do que você prometeu?
Ela ainda te espera
Hei não precisa sofrer
Pense na tua estrela
E ela vai lhe proteger.

Hei amigo chegou à hora
Ou ganha o céu ou perde o chão
Hei amigo não tenha medo
Já passei por essa situação
Tudo pode parecer estranho
Mas vamos fazer de conta
Que é só imaginação...?


José Borges.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Insuficiência.



“Minhas lágrimas não caem mais”
Já me transformei em cinza
Já transbordei todo meu suor
Já fui do índico ao pacífico
E a cada volta me sinto mais só.

Fiz o que era pra se fazer
Entendi da pior forma como não aprender
Venci guerras sem lutar
Lutei em vão por vezes
Alimentei esperanças de ganhar
Chorei inúmeras madrugadas
Mas hoje, já sou cinza a pintar.

Hoje não bastam promessas
Nem lágrimas secas sobre o chão
Hoje não adianta mentir
Sempre a verdade nasce
E tudo muda, todos se calam.

Minhas manhãs são nebulosas
Assim como teu olhar
Perdi-me entre os teus abraços
Perdi-me pra nunca mais voltar.

Já estive tão perto do sol
E fui amante da lua por noites
Abriguei-me nas tentas da tarde
Repousei minha insuficiência inquieta.

Naufraguei pensamentos
Por medo que eles ancorassem,
Desenhei vários poemas
Cada um com sua tristeza.

Minhas lágrimas não caem
Meus versos não explicam:
Minhas palavras são dúbias.


José Borges.

domingo, 4 de julho de 2010

Vida Repetida.








Hoje em dia não é fácil dormir muito menos acordar
Já que minha mente anda vazia, e isso me impede de sonhar
Cada vez mas machucado, cada vez mais enganado, porque às vezes algo sai errado
E nessas horas o que resta é procurar algum lugar, que seja calmo e bom pra se pensar, em Algo que não venha pra magoar, algo que não me faça chorar.

Vivo sem explicação sem descanso pro coração
Fecho os olhos pro destino e nele busco uma razão
Pra não viver de ilusão nem perdido sem direção
Nessa vida repetida que é quinem uma prisão
Que sufoca e maltrata, sem piedade nem perdão
Mais fazer o que? O que me resta é viver nessa eterna ’’solidão’’.

Tudo isso gera dor, insegurança e temor
De voltar a ficar sozinho no frio, abandonado e sem calor
Com o coração na mao, largado sem pudor
Logo ele que um dia teve esperança, um sincero sonhador
Que sonhava em encontrar seu verdadeiro amor.



Juan Patrick.

sábado, 3 de julho de 2010

O bom do amor...



O bom do amor não é quando você recebe juras em cartazes, alto-falantes, em festas,
Mas sim quando ele é declamado em um instante, num momento em que você não espera. Assim tudo fica mais belo, mais puro.

O bom do amor não é poder navegar o oceano inteira ou ir até a lua em questão de minutos,
Mas sim quando você demora horas somente observando cada gesto, cada sorriso, cada olhar da pessoa amada.

O bom do amor não é acreditar que ele será pra sempre
Mas sim apenas entender que naquele momento ele é absolutamente tudo.

O bom do amor não é apenas ter a pessoa amada do seu lado
Mas sim ter a certeza que além de você, ela também esta amando.

O bom do amor poderia até ser os beijos, os abraços, os carinhos, ao o algo mais.

Mas sim, o bom do amor mesmo, é saber que por mais intenso, que por mais gigantesco que seja ele nunca perderá o sua essência. O bom do amor é a certeza que ele nunca será explicado, sabe-se apenas que arde.

O bom do amor é simplesmente compreender a si mesmo, e ter a ousadia de desafiar seus limites.

O bom do amor, o bom mesmo..., é ter a convicção de que você desfrutou do mais doce e divino dos sentimentos.

Por isso, não tenha medo de dizer que ama, ou que amou quem quer que seja. Amar não é crime, talvez até possa ser, mas nenhum tribunal ou júri será capaz de condenar-lo.

O bom do amor é ver que a vida, a vida é e foi feita para se viver.


José Borges.
,

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Quero apenas sonhar.



Ainda é tão cedo pra levantar
O sol nem bateu na janela
O galo nem começou a cantar
Os pássaros ainda não cantaram
Porque é tão frio acordar,
E olhar o mundo em nossa volta
Tão mórbido sem coragem de lutar.

Ainda é pouca a saudade
E já começo a desejar outro lugar
Meu sono tranqüilo e maneiro
É o maior dos prêmios que posso ganhar
Meus lábios secos e gelados
Tiram-me a esperança de falar
Ainda é tão cedo e já cansei
Estou sem coragem para continuar.

Vou logo debruçar-me em teu peito
Porque o que mais quero é sonhar...


José Borges.
,

terça-feira, 29 de junho de 2010

Feito Lua.




Tem dias que nos somos apenas quem podemos ser
Que os sonhos mais pequenos, viram grandes ao amanhecer
Imaginando um futuro repetido
Mesmo tenso ou proibido
Mais que vai me acolher.

Tem dias que as nuvens estão baixas
E o vento corre lento
Calmo e lento feito a lua
Eu caminho pela rua
Pra entender meu pensamento.

Tem dias que o choro é comum
Mesmo sem motivo algum
Ele teima em aparecer

É nessas horas que eu vejo quem de verdade eu sou
Alguém que muda ou que mudou
Só pra de amor, não morrer.


Juan Patrick.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Sobre o chão...



Se não fosse tão emérito meu suspense em torno de ti
Seria provável que bastasse apenas um tom de desejo.
Mas ainda que me façam os céus à terra molhada
Vejo que os guerreiros estão com medo de fugir.

Os perigos são inúmeros mesmo que ausentes à vitória
E as malhas sujas que levam ao abismo secreto
São pequenas gotas de sangue sobre meu corpo
Perdidas em torno de si, varias desconfianças.

Se não fossem minhas idéias putrefaças ao chão
Eu seria tão herói como era minha história
E ainda que meu suor seja levado sobre teu corpo
Eu nada serei senão tua última aventura desleixada.

Porém, nada será tão verdadeiro e único quanto meu beijo,
Que foi tratado como estranho ao ser anunciado
Meu instinto me fará impróprio assim como me fez presente.


José Borges.
,

Por onde vou...



Aprendi com o tempo
Que não devo negar favores
Aprendi que para tudo
Existem vários valores
Aprendi com o medo
Enfrentar meus temores.

Ensinei alguns passos
Mas não quiseram seguir
Ensinei umas histórias
Que não foram contribuir
Ensinei meus planos
E não fizeram existir.

Confessei uns segredos
Que não podia confessar
Confessei pecados
Muitos difíceis de perdoar
Confessei meus sonhos
Pr’eu não mais sonhar.

Criei minhas manias
Sem ninguém perceber
Criei uma máscara
Somente para me proteger
Criei meus espinhos
Para me afastar de você.

Fiz do teu sorriso
Meu choro inconsolável
Fiz do teu abraço
O lugar mais confiável
Fiz de mim um servo
Desse teu jeito maleável.

Já tive amigos
Difíceis de suportar
Já tive momentos
A ponto de estourar
Já passei por apuros
Que me nego a falar.

Fui herói e Deus
Ainda que só para mim
Fui escravo e fui rei
Vesti trapos e cetim
Fui passado e sou presente
Mas não conheço nenhum fim.

Escrevi poemas alegres
Mesmo estando triste
Escrevi poemas melódicos
Para alguém que não existe
Escrevi um poema morto
Na esperança que ele existisse.

Chorei vendo as estrelas
Irradiantes lá no céu
Chorei ouvindo os sussurros
Destes teus lábios de mel
Chorei ao ver a verdade
Que era amargo feito fel.

Terminei meus dias
Num lugar bem distante
Terminei minhas histórias
Sem saber o restante
Terminei com a noite
Minha eterna louca amante.


José Borges.
,

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Por você...



Se eu pudesse sair agora
Iria até Deus se fosse o caso
Ficaria de joelhos sobre espinhos
Faria o que precisasse,
Perdoaria meus inimigos
Aceitaria o perdão
Eu mudaria minha rotina
Meu jeito, meu olhar,
Eu perderia minha voz
Meus ouvidos
Eu deixaria o cálice
Eu perderia o cisma
Eu teria fé
Eu seria pó.

Tudo isso para que você
Fosse meu por um instante – se não por completo
Mas que ao menos tua essência
Fosse tatuada em meu espírito
Ou talvez teu gesto, fosse minha recordação,
Eu seria o mais alegre dos cegos
Se fosse você minha última visão.


José Borges.
,

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Buraco de rato.



Não é fácil olhar pro mundo e ver tanta coisa desigual
A sociedade ta calada pensando que tudo isso é normal
Está acomodada com o ‘bolsa’ ou outra esmola qualquer
O homem não trabalha só depende da mulher
A filha não estuda porque lhe agrediram na escola
E o filho ta na rua segurando uma pistola
E no final é mais uma família bastante feliz
Mesmo que seus risos estejam por um triz.

Sabe por que isso acontece a todo o momento?
É o povo que fica olhando pro céu esperando julgamento
Além do terror causado pelos nossos coronéis
Ainda ficam com essa historia de serem bons fieis
Andam em fila feito patinhas na lagoa
Seguindo o som da morte que bem longe ecoa
E é assim que o país avança cada vez mais
Fingindo não haver erro nem mentiras nos jornais.

Não me venham com esse discurso barato
Já conheço cada estrofe, cada buraco de rato,
Não é fácil ver tanta gente chorando
Enquanto uns riem, outras vão se acabando,
E os lideres onde estão pra salvar o povo?
Onde está à esperança de cada dia ser novo?
Já cansei de esperar e não ser atendido
Vou desligar a TV porque minha mente não é pinico.

Vamos mostrar a realidade da nossa família
De toda nossa família brasileira
Vamos mostrar o rosto sem pintura nem chapéu
É melhor cuidar de si de que cuidar do céu
Por que afinal, de que adianta preparar a cama,
Se ninguém vai deitar, deixe tudo virar zona,
O importante não é o A, B, C e D,
Se ligue que o mundo é você.


José Borges.
,

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Será o tempo?



Olha só pra ti
O que será que aconteceu?
Será o tempo?
Ou serão os olhos
Que envelheceram
Assim como os sonhos
Que morreram
Ou como as mãos
Que pararam
Talvez os pés
Que dobraram
Quem sabe o corpo
Que está cansado
Ou a alma
Que a muito vive ferida
Ou ainda a voz
Que se calou
Talvez os braços
Mesmos que fracos
Ou será o medo
Que em tudo vai
Talvez a coragem
Ainda que tímida
Talvez o peito
Mesmo que vazio
Olha só isso
Quanta ternura.


José Borges.
,

Entre o sol e o mar.



Já passou tanto tempo
Unindo o ontem e a manhã
Agora tudo parece certo
Na boa forma espiã.

Para frente um passo
A procura do que vem
Tirando onda do mar
Rindo do sol também
Inibindo os raios
Criando fantasmas
Kamikazes do além.


José Borges.
,

sábado, 19 de junho de 2010

Ainda que seja em vão...



Nasce quase morrendo amor
Porque não quero conviver contigo
Nem compartilhar lençóis.

Nasce assim como o instante
Que passa rápido e deixa marcas.

Vem e vai com a velocidade da luz
Pr´eu não sentir teu perfume
Mesmo que tua essência já esteja em mim.

Não quero ser apenas teu servo
Mesmo que muitas vezes eu precise de ti.

Nasce – amor bobo – e se despedace
Ou melhor, evapore como eu fiz,
Nasce ainda que seja em vão.

De qualquer maneira a pirâmide caiu
O passado amedrontado se escondeu
E as vozes que ti seduziam
Estão ecoando no universo sem rumo.

Nasce amor
Que a paixão está acabando
E você é o prato da vez...


José Borges.
,

sexta-feira, 18 de junho de 2010

...minha gente.



Se ligue ai minha gente
Nessa onda da informação
Tem produto sendo comprado
Sem ter nenhuma função
Mais o povo achou bonito
Porque passou na televisão.

A criança quando acorda
Vai logo ver TV
E os pais nem fiscalizam
Deixam a criança se entreter
E sabe lá meu Deus
O que ela poder ver.

E cresce absorvendo
Esse atraso cultural
Aprende tudo que não presta
E vai pra rua fazer o mau
Depois não adianta reclamar
Tava tudo isso no jornal.

E a situação complica
Quando vai outro imbecil
Solta bomba pelas ruas
Querendo guerra civil
Esse sim é mais um filho
Dessa puta mãe gentil.

Se ligue a minha gente
Vamos parar, por favor,
Não caíam nas ondinhas
Que saem do televisor
Pois o mar não se importa
Se é peixe ou pescador.

Vamos ter cuidado
Para não nos afogar
Só tem miolo de pote
Nessas convenções ‘mundiá’
Salve, salve natureza,
E quem vai nos salvar?

José Borges.
,

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Sem parar...



Vai outra vez,
Buscando sempre aonde não chegar,
Com o pouco de tempo que lhe sobra
Vê se lembra de me ligar,
Vai outra vez sem demora
Como se nunca mais fosse voltar...
Lembre-se que o amanhã
Pertence somente que tem coragem de lutar
Não se omita frente à batalha
Nunca se sabe sem tentar.

Ainda que as sombras te cerquem
Elas não poderão lhe derrubar,
Se você já trilhou seu caminho
Vai outra vez
E nunca pense em parar...
Nesse jogo diário da vida
É obrigatório ganhar
Vai à busca do teu álveo,
Novo rio a passar...


José Borges.
,

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Como toda vida.



Quisera eu que tudo passasse
Assim como passa um simples mal estar
Quisera eu que as raízes póstumas
Não me fizessem tanto lembrar
Porque mesmo a hora passando
Sinto que essa dor não vai sanar,
Sinto até meus dedos dormentes
E as pernas bambas se entrelaçam
Sinto meus passos mais lentos
Avisando que logo tenho que parar
E insinuando também
Que não há nada para celebrar
Apenas as covas alinhadas
Esperando outra alma para roubar,
Quisera eu que na vida
Agente não precisasse amar...


José Borges.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Em certo mandamento.



A equivoco na carta escrita,
Nela está contida apenas memórias
Coisas invisíveis assim como os seios da noite
Ou como os cabelos do vento.

Dizem que ouve glória,
Mas os bons homens não viveram para celebrar
E hoje inventam tantas histórias
Que muitas vezes fica impossível não se acreditar,
E hoje com certeza os mortos celebram
A divina e infantil forma de amar.

Os rumores que as mulheres
Desconsideram seus maridos em todos os jornais,
Pobres escravos de si próprios
Obscuros pensamentos normais
Interromperam até a cerimônia
Pois alguém abriu a carta,
E cavalos voaram,
Céus caíram
E o despreparado, morreu.

E por séculos os anjos cantaram,
E pobres sem poder continuar mendigaram
E os profetas foram fazendo
Filas em prol da oração
E os filhos dos deles dormiam
Impróprios para escrever.

E os poetas bebiam as elegias do tempo
E comiam as veias de seus corpos,
Assim como a sombra da imagem
Estava posta no altar.


José Borges.


Ao amigo ‘Presente’.

Ele estava ali. Firme, frio e um pouco mal ajustado, mas estava em seu momento de glória, assim como eu estive um dia. Seus braços - que braços?- Segurava todo momento o peso insuportável do tempo. E por mais que fosse cansativo ele não reclamava, apenas resmungava baixinho, baixinho, como uma simples tartaruguinha grita sem ter voz ao seu devorada por terrível e necessitado jacaré calculista.

É de verdade eu vos digo; ele ainda estava ali mesmo após a chuva de ontem ter
encharcado todo o terreno. Mesmo em meio a tanta inquietação e instabilidade, ele estava ali com suas pernas, - que pernas?- nada parecia lhe atingir. Sua coragem era tão grande que mais parecia ser um universo perdido. Ele brilhava.

Por onde passava fazia valer sua veracidade. Sua calma era água em movimento, sua face eram flores recém brotadas – diversas-, e também, ele expôs suas carências. Ele era tudo o que tocava, mas ao mesmo tempo era levado facilmente pelo vento. E o que ele mais queria era realmente, entender o silêncio.

Ele estava ali, na minha frente com seu sorriso franco. Seus olhos me cegavam e me seduziam. Seus cabelos flutuavam com uma delicadeza jamais vista, nem citada.

E o silêncio assim como o verme que tira a esperança mesmo de uma carne já morta, estava em tudo, e era tudo. E ele ali gritando, nem sequer se ouvia. E os ventos passando, e cada vez mais passando.


José Borges.