Tem dias que nos somos apenas quem podemos ser
Que os sonhos mais pequenos, viram grandes ao amanhecer
Imaginando um futuro repetido
Mesmo tenso ou proibido
Mais que vai me acolher.
Tem dias que as nuvens estão baixas
E o vento corre lento
Calmo e lento feito a lua
Eu caminho pela rua
Pra entender meu pensamento.
Tem dias que o choro é comum
Mesmo sem motivo algum
Ele teima em aparecer
É nessas horas que eu vejo quem de verdade eu sou
Alguém que muda ou que mudou
Só pra de amor, não morrer.
Juan Patrick.
Se não fosse tão emérito meu suspense em torno de ti
Seria provável que bastasse apenas um tom de desejo.
Mas ainda que me façam os céus à terra molhada
Vejo que os guerreiros estão com medo de fugir.
Os perigos são inúmeros mesmo que ausentes à vitória
E as malhas sujas que levam ao abismo secreto
São pequenas gotas de sangue sobre meu corpo
Perdidas em torno de si, varias desconfianças.
Se não fossem minhas idéias putrefaças ao chão
Eu seria tão herói como era minha história
E ainda que meu suor seja levado sobre teu corpo
Eu nada serei senão tua última aventura desleixada.
Porém, nada será tão verdadeiro e único quanto meu beijo,
Que foi tratado como estranho ao ser anunciado
Meu instinto me fará impróprio assim como me fez presente.
José Borges.
,
Aprendi com o tempo
Que não devo negar favores
Aprendi que para tudo
Existem vários valores
Aprendi com o medo
Enfrentar meus temores.
Ensinei alguns passos
Mas não quiseram seguir
Ensinei umas histórias
Que não foram contribuir
Ensinei meus planos
E não fizeram existir.
Confessei uns segredos
Que não podia confessar
Confessei pecados
Muitos difíceis de perdoar
Confessei meus sonhos
Pr’eu não mais sonhar.
Criei minhas manias
Sem ninguém perceber
Criei uma máscara
Somente para me proteger
Criei meus espinhos
Para me afastar de você.
Fiz do teu sorriso
Meu choro inconsolável
Fiz do teu abraço
O lugar mais confiável
Fiz de mim um servo
Desse teu jeito maleável.
Já tive amigos
Difíceis de suportar
Já tive momentos
A ponto de estourar
Já passei por apuros
Que me nego a falar.
Fui herói e Deus
Ainda que só para mim
Fui escravo e fui rei
Vesti trapos e cetim
Fui passado e sou presente
Mas não conheço nenhum fim.
Escrevi poemas alegres
Mesmo estando triste
Escrevi poemas melódicos
Para alguém que não existe
Escrevi um poema morto
Na esperança que ele existisse.
Chorei vendo as estrelas
Irradiantes lá no céu
Chorei ouvindo os sussurros
Destes teus lábios de mel
Chorei ao ver a verdade
Que era amargo feito fel.
Terminei meus dias
Num lugar bem distante
Terminei minhas histórias
Sem saber o restante
Terminei com a noite
Minha eterna louca amante.
José Borges.
,
Se eu pudesse sair agora
Iria até Deus se fosse o caso
Ficaria de joelhos sobre espinhos
Faria o que precisasse,
Perdoaria meus inimigos
Aceitaria o perdão
Eu mudaria minha rotina
Meu jeito, meu olhar,
Eu perderia minha voz
Meus ouvidos
Eu deixaria o cálice
Eu perderia o cisma
Eu teria fé
Eu seria pó.
Tudo isso para que você
Fosse meu por um instante – se não por completo
Mas que ao menos tua essência
Fosse tatuada em meu espírito
Ou talvez teu gesto, fosse minha recordação,
Eu seria o mais alegre dos cegos
Se fosse você minha última visão.
José Borges.
,
Não é fácil olhar pro mundo e ver tanta coisa desigual
A sociedade ta calada pensando que tudo isso é normal
Está acomodada com o ‘bolsa’ ou outra esmola qualquer
O homem não trabalha só depende da mulher
A filha não estuda porque lhe agrediram na escola
E o filho ta na rua segurando uma pistola
E no final é mais uma família bastante feliz
Mesmo que seus risos estejam por um triz.
Sabe por que isso acontece a todo o momento?
É o povo que fica olhando pro céu esperando julgamento
Além do terror causado pelos nossos coronéis
Ainda ficam com essa historia de serem bons fieis
Andam em fila feito patinhas na lagoa
Seguindo o som da morte que bem longe ecoa
E é assim que o país avança cada vez mais
Fingindo não haver erro nem mentiras nos jornais.
Não me venham com esse discurso barato
Já conheço cada estrofe, cada buraco de rato,
Não é fácil ver tanta gente chorando
Enquanto uns riem, outras vão se acabando,
E os lideres onde estão pra salvar o povo?
Onde está à esperança de cada dia ser novo?
Já cansei de esperar e não ser atendido
Vou desligar a TV porque minha mente não é pinico.
Vamos mostrar a realidade da nossa família
De toda nossa família brasileira
Vamos mostrar o rosto sem pintura nem chapéu
É melhor cuidar de si de que cuidar do céu
Por que afinal, de que adianta preparar a cama,
Se ninguém vai deitar, deixe tudo virar zona,
O importante não é o A, B, C e D,
Se ligue que o mundo é você.
José Borges.
,
Olha só pra ti
O que será que aconteceu?
Será o tempo?
Ou serão os olhos
Que envelheceram
Assim como os sonhos
Que morreram
Ou como as mãos
Que pararam
Talvez os pés
Que dobraram
Quem sabe o corpo
Que está cansado
Ou a alma
Que a muito vive ferida
Ou ainda a voz
Que se calou
Talvez os braços
Mesmos que fracos
Ou será o medo
Que em tudo vai
Talvez a coragem
Ainda que tímida
Talvez o peito
Mesmo que vazio
Olha só isso
Quanta ternura.
José Borges.
,
Já passou tanto tempo
Unindo o ontem e a manhã
Agora tudo parece certo
Na boa forma espiã.
Para frente um passo
A procura do que vem
Tirando onda do mar
Rindo do sol também
Inibindo os raios
Criando fantasmas
Kamikazes do além.
José Borges.
,
Nasce quase morrendo amor
Porque não quero conviver contigo
Nem compartilhar lençóis.
Nasce assim como o instante
Que passa rápido e deixa marcas.
Vem e vai com a velocidade da luz
Pr´eu não sentir teu perfume
Mesmo que tua essência já esteja em mim.
Não quero ser apenas teu servo
Mesmo que muitas vezes eu precise de ti.
Nasce – amor bobo – e se despedace
Ou melhor, evapore como eu fiz,
Nasce ainda que seja em vão.
De qualquer maneira a pirâmide caiu
O passado amedrontado se escondeu
E as vozes que ti seduziam
Estão ecoando no universo sem rumo.
Nasce amor
Que a paixão está acabando
E você é o prato da vez...
José Borges.
,
Se ligue ai minha gente
Nessa onda da informação
Tem produto sendo comprado
Sem ter nenhuma função
Mais o povo achou bonito
Porque passou na televisão.
A criança quando acorda
Vai logo ver TV
E os pais nem fiscalizam
Deixam a criança se entreter
E sabe lá meu Deus
O que ela poder ver.
E cresce absorvendo
Esse atraso cultural
Aprende tudo que não presta
E vai pra rua fazer o mau
Depois não adianta reclamar
Tava tudo isso no jornal.
E a situação complica
Quando vai outro imbecil
Solta bomba pelas ruas
Querendo guerra civil
Esse sim é mais um filho
Dessa puta mãe gentil.
Se ligue a minha gente
Vamos parar, por favor,
Não caíam nas ondinhas
Que saem do televisor
Pois o mar não se importa
Se é peixe ou pescador.
Vamos ter cuidado
Para não nos afogar
Só tem miolo de pote
Nessas convenções ‘mundiá’
Salve, salve natureza,
E quem vai nos salvar?
José Borges.
,
Vai outra vez,
Buscando sempre aonde não chegar,
Com o pouco de tempo que lhe sobra
Vê se lembra de me ligar,
Vai outra vez sem demora
Como se nunca mais fosse voltar...
Lembre-se que o amanhã
Pertence somente que tem coragem de lutar
Não se omita frente à batalha
Nunca se sabe sem tentar.
Ainda que as sombras te cerquem
Elas não poderão lhe derrubar,
Se você já trilhou seu caminho
Vai outra vez
E nunca pense em parar...
Nesse jogo diário da vida
É obrigatório ganhar
Vai à busca do teu álveo,
Novo rio a passar...
José Borges.
,
Quisera eu que tudo passasse
Assim como passa um simples mal estar
Quisera eu que as raízes póstumas
Não me fizessem tanto lembrar
Porque mesmo a hora passando
Sinto que essa dor não vai sanar,
Sinto até meus dedos dormentes
E as pernas bambas se entrelaçam
Sinto meus passos mais lentos
Avisando que logo tenho que parar
E insinuando também
Que não há nada para celebrar
Apenas as covas alinhadas
Esperando outra alma para roubar,
Quisera eu que na vida
Agente não precisasse amar...
José Borges.
A equivoco na carta escrita,
Nela está contida apenas memórias
Coisas invisíveis assim como os seios da noite
Ou como os cabelos do vento.
Dizem que ouve glória,
Mas os bons homens não viveram para celebrar
E hoje inventam tantas histórias
Que muitas vezes fica impossível não se acreditar,
E hoje com certeza os mortos celebram
A divina e infantil forma de amar.
Os rumores que as mulheres
Desconsideram seus maridos em todos os jornais,
Pobres escravos de si próprios
Obscuros pensamentos normais
Interromperam até a cerimônia
Pois alguém abriu a carta,
E cavalos voaram,
Céus caíram
E o despreparado, morreu.
E por séculos os anjos cantaram,
E pobres sem poder continuar mendigaram
E os profetas foram fazendo
Filas em prol da oração
E os filhos dos deles dormiam
Impróprios para escrever.
E os poetas bebiam as elegias do tempo
E comiam as veias de seus corpos,
Assim como a sombra da imagem
Estava posta no altar.
José Borges.
Ele estava ali. Firme, frio e um pouco mal ajustado, mas estava em seu momento de glória, assim como eu estive um dia. Seus braços - que braços?- Segurava todo momento o peso insuportável do tempo. E por mais que fosse cansativo ele não reclamava, apenas resmungava baixinho, baixinho, como uma simples tartaruguinha grita sem ter voz ao seu devorada por terrível e necessitado jacaré calculista.
É de verdade eu vos digo; ele ainda estava ali mesmo após a chuva de ontem ter
encharcado todo o terreno. Mesmo em meio a tanta inquietação e instabilidade, ele estava ali com suas pernas, - que pernas?- nada parecia lhe atingir. Sua coragem era tão grande que mais parecia ser um universo perdido. Ele brilhava.
Por onde passava fazia valer sua veracidade. Sua calma era água em movimento, sua face eram flores recém brotadas – diversas-, e também, ele expôs suas carências. Ele era tudo o que tocava, mas ao mesmo tempo era levado facilmente pelo vento. E o que ele mais queria era realmente, entender o silêncio.
Ele estava ali, na minha frente com seu sorriso franco. Seus olhos me cegavam e me seduziam. Seus cabelos flutuavam com uma delicadeza jamais vista, nem citada.
E o silêncio assim como o verme que tira a esperança mesmo de uma carne já morta, estava em tudo, e era tudo. E ele ali gritando, nem sequer se ouvia. E os ventos passando, e cada vez mais passando.
José Borges.
Agora que a noite chegou
O que me resta e deitar-me e fechar os olhos
Esperando o sono que custa a chegar
Vou esperar meus sonhos
Vou tentar esperar.
Mesmo no frio da madrugada
Vou manter-me quieto
Como o frio que me cerca
E congela meu futuro incerto.
E no silencio na noite
Minha dor fama mais alto
Assim choro em minha cama
A dor que vem do meu passado.
E agora que a noite chegou
Não tenho certezas concretas
Apenas noites sem sono
E muitas palavras incertas.
Juan Patrick.
Tem dias que agente se sente
Incompletos e carregados,
Tem dias que o céu parece ser
Nosso único santuário,
E tem dias que os amigos
Não estão ao nosso lado.
Tem dias que o dia
Passa tão rápido e cansado,
Que tem vezes que esqueço
Que eu sou desinformado,
E tem dias que os truques
Não me deixam magoado.
Tem dias que os pássaros
Voam alto e sem receio,
E tem dias que os falsos
Revelam sua verdadeira feição
Assim como a sombra
Que não se separa do chão.
Tem dias que o vento
Leva embora toda e qualquer mágoa,
Tem dias que a chuva
Lava e limpa tudo, inclusive a alma,
E tem dias que os abraços
São os remédios para a calma.
Tem dias que o medo
Bate na porta, sem pudor,
Tem dias tristes, calados,
Suaves suspiros, apenas dor.
Tem dias que a vida
Não se entende com o amor...
José Borges.
,

José Borges.
,
Deus,
Divida comigo tua arrogância,
Não se esconda de mim
Sou apenas teu filho
Sou teu reflexo
Teu corpo
Tua alma,
Teu sonho mais complicado
Teu pesadelo mais suado
Sou teu paraíso imperfeito
E sou tua pedra no sapato.
Deus,
Larga-me em qualquer esquina
Jogue-me noutro ponto do universo
Sou o mais pecador dos pecados
E o mais tenebroso dos inversos
Sou teu sangue que jorra
Teu cálice em perdão
Teu santuário ponderado
Tua sombra sobre o chão
Sou o maior dos carnívoros
E não quero o teu pão.
Deus,
Não seja tendencioso
Se outrora me largou no mundo
O que pode ser mais perigoso?
Não preciso ser perdoado
Nem muito menos de atenção
O que eu quero não existe
Nessa tua cínica liquidação.
Venda teus escravos e barbeiros
Pra outro estilo de peão
Eu não sou do tipo crente
Não te pago prestação.
Deus,
Não precisa ser sábio pra saber
O que hoje é bonito e raro
Logo outro rascunho vai ser
E se ainda insiste com isso
É porque falta muito para aprender
Os homens inventaram regras
E todos têm que obedecer,
Já o teu carinho e tua bondade
Ninguém quer conhecer,
Perceba que tuas cobaias
Saíram idênticas a você;
Incertas e cercados de tolos
Que reis pensam em ser?
Deus,
Não é errado falar, escrever ou ditar,
O erro está na vida
Que muitos nem ligam se vai acabar
Porque de vida vive a vida
Pra morte nunca acordar...
José Borges.
,

Deixe sozinha a ultima palavra
Deixe morrer o meu simples sentimento
Pois o que tirastes de mim
Falta-me a todo o momento
Respeite minhas ultimas palavras a ti ditas
Elas são meu juramento
Pois de tudo que vivi
Teu peito foi meu único relento
Que aquietava minha alma
E descansava meu pensamento
Mais agora estou voando
Flutuando com o vento
Procurando meu descanso
Pra esse eterno sofrimento
Pra que minha ida se transforme
Em um novo nascimento
E assim eu possa viver
Feliz, sem dor e sem lamento.
Juan Patrick.
Doce lua, companheira
Aceite aqui o meu perdão
Não me abandone aqui sozinho
Não me deixe voltar pro chão.
Doce lua que me olha
Não me deixe mais chorar
Fique sempre do meu lado
Nunca esqueça de me amar.
Doce lua prateada
Que vive no céu e toca o mar
Estou morrendo por dentro
Só você pra me ajudar
Me leve logo pro teu mundo
Pra que eu possa descansar.
Juan Patrick.
Ouve festa na lua
Quando os amantes se encontraram
E entre eles se mostrou um desejo
Que os deixaria desesperados,
No momento era tudo
Noutro tempo, era nada.
Caminharam os corações
Certo de não se enganarem
Destronaram a tristeza,
Diluíram a solidão,
Ficaram a noite inteira
Com o amor entre as mãos.
Fizeram o inevitável
Com uma força audaciosa,
Encantaram os ébrios
Que estavam pelas calçadas
Amaram-se como nunca
Antes na vida fossem amados.
E escorreu o suor pelo corpo
E foram os cabelos sobre o rosto
E ouve os beijos doces
Suaves como o sereno,
E era o universo
Naquele momento, pequeno.
E mesmo em dúvidas
Não se renderam ao silêncio,
Sussurraram aos ouvidos
E descobriram a magia,
Reinventaram a sutileza
E esbanjaram fantasia.
E terminaram abraçados
Sem hora pra falar,
Com a certeza que o certo
Ainda está pra se criar,
Só se interessavam pela lua
Na ânsia dela voltar.
E como de certeza
Logo entardece, e sol cai,
E a noite chega mansa e quieta,
E a lua novamente retorna
Para os amantes inconformados,
E o tempo passa despercebido
Como parte do programado.
José Borges.
,
Cuidado,
Nem todo caminho é certo,
Nem todo erro e perdoado
Nem toda façanha é bem feita
Nem toda piada é divertida
Nem toda historia é bem contada
Nem tudo é pra toda vida.
Se hoje é bom brincar
Saiba que o tempo passa
As pessoas mudam diariamente
E que nem toda hora é intervalo
Nem tudo pode se concertar
Se você não se cuidar
Teu cinismo pode lhe derrubar
Tua chance pode passar
E mesmo que você queira
Vai se tarde pra voltar
Aqueles que te amam
Pode não te perdoar.
Cuidado com o cigarro
Você pode se queimar
Cuidado com o ego
Você pode afundar
Cuidado com as flores
Você pode se encantar
E cuidado com bonzinhos
Eles podem lhe matar.
Vão destruir teus sonhos
E você não percebe
Levam-te para a cova
E você os bebe,
Engole as idéias
E os tolos pensamentos
E não vê que teu orgulho
Foi embora com o vento.
Nem todo filme tem sentido
Nem todo fim tem motivo
Nem toda água tem sede
Nem toda gente tem fome
Nem todo sangue é vermelho
Nem toda gente é verdadeira
Nem todo silêncio é medo
Nem toda traição é perdoada
Nem todo sonho é mentira
E nem toda glória é passada.
José Borges.
,
Vão lágrimas,
Escorrem por este rosto cansado
Lava a cara de quem vive triste
Já não sei o que faço,
Se eu fico ou se passo.
Vai, lava minh'alma
Enriquece meu espelho de mágoas
Onde eu reflito as promessas
E me calo ao medo
E me faça de graça.
Sai agora pr´onde quiser
E não volte nunca mais
Nem me explique quem tu és
Hoje já sou triste, tanto faz,
Uma mentira sua
Mostra do que é capaz.
Vão lágrimas silenciosas
Não despertem os guardas
Saiam vagamente pela noite
E não me procurem depois
Porque a cada minuto
Divido-me em dois.
José Borges.
,
Amor de momentos
E eternos sentimentos
Ficam a pairar
Em torno da areia
Em busca do mar
Navegando ao silêncio
Estranho não naufragar
E outro caminho se abre
Nas ondas frias a somar.
Enterros de sonhos
Multidões a acreditar
Horas querendo fama
Pra outro amor não reclamar
E mudando a mente
Refazendo gente
Sem medo de errar
Trilhando incertezas
Que pode falhar.
Ao certo sabido
Que a verdade atrasa
E fazem de tudo
Contas não paga
E vão falando
Bobagens assim
Desejando o mal
A quem deu o sim
Moldando maquetes
Que não cabem em mim.
E enrolam-se os tolos
Que a idiotice é barata
Compra-se de graça
E se ganha de troco
Bebem mesmices
Engolem recados
Muralhas de papel
Restos aos bocados
Simples brinquedos
Fáceis moldados.
Curto momento
Estranho ciúme
Que corta meu corpo
Apodera-se da alma
Destroem defesas
Estilhaçam vidraças
Embriagam-se comigo
E me dão certa calma
O que já foi um dia
Não passa de madrugada.
Poderoso amor árduo
Que exala um perfume hostil
O que faz com os segredos
De quem não se conhece
E o que fazes de mim?
Sou apenas uma criança
Perdida no cinismo
Colhendo flores no jardim.
José Borges.
,
Ah, meu doce amor,
Meu desejo, meu ciúme,
Meu meigo beija-flor
Porque me confunde
Se não é meu protetor?
Meu silêncio, meu verão,
Minha noite, meu prazer,
Minha estrela da manhã
Por onde anda você?
Meu medo, meu dia,
Buraco negro sem fundo
Se eu não sou o teu astro
Quem será o teu mundo?
Paixão, minha paixão,
A solidão é tão grande
Que nem o silêncio está comigo
Mas e daí, nem ligo...
O resto é ilusão.
José Borges.
,
Peço licença aos poetas/
Que aqui deixam seus recados/
Para entrar nessa budega/
E fazer parte desse recanto/
Quero dizer que poesia é vida/
Vida essa que nos traz alegria/
E nesse canto bem cuidado/
Todos têm um espaço/
Já que o mundo ta virado/
O tempo continua passando/
O povo cada vez mais sangrando/
Precisamos incentivar nossa cultura/
Mudar nossa postura/
Ver além do que nos é mostrado/
Duvidar do que parece ser certo/
A vida anda a tombos/
Os poderes vivem de escândalos/
Mas no sertão agente sabe/
Que quem faz o mal também recebe uma parte/
E assim a vida anda nessa terra/
Nossa terra seca mais humilde /
Nossa gente sofre mais não esquece/
Do tudo que nos é tirado/
Um dia o Brasil será salvo/
Nos braços do nordeste que hoje é desprezado. /
José Borges.
,
Com tantos poemas já escritos
E muitos ainda para escrever
Faço e refaço os planos e sonhos
E por mais que eu tente
Parece que não consigo entender
Os motivos pelos quais
Fico distante de você.
Com minhas lágrimas
Encho um oceano de tristeza
E navego em meio ao passado
Buscando quem sabe algum sobrevivente
Alguma sobra de pecado
E sigo em meio ao silêncio
De braços dados com o medo
Pois posso encontrar o indesejado.
Com meu sangue
Desenho os nossos nomes nas pedras
Mesmo sabendo que com o tempo irá sumir
E vou deslizando até formar um circulo
Onde tudo de mágico pode existir
E com isso o tempo passa
Só não passa o bastante
Para que me faça desistir.
E com o meu amor
Escrevo e leio os dias que continuam
Mesmo querendo ir além,
E as horas passam ainda que tristes
Parecem entenderem minha dor
E vou me deslizando pelo tempo
Voando feito um condor
Na esperança de não encontrar
Algum estranho predador.
E com meu silêncio
Vou embriagado pelas calçadas
Mendigando um abraço amigo
Sonhando com dias melhores
Quem sabe com menos perigo
Pois há muito tempo ando sem rumo
Procurando alguém que me sirva de abrigo.
José Borges.
,
Quando se cansarem os amantes
E não mais estiverem enlouquecidos
Pela fome de ousadia e pelo ódio em carne,
Irão sentir ligeiramente um vazio
Sentirão a falta de alguma coisa ainda que morna
E lhes ocorrerá o medo de morrerem a sós.
Apenas vagas estrelas no universo
Resíduos de amores e amores em começo.
Será a face do último quadro;
O sabor do último beijo ainda que frio
A saudade do último brilho no olhar
O silêncio do último poema
E a dor pela ausência
De motivos que lhes façam sonhar...
José Borges.
,
Hora somos tão grandes que temos a impressão de não cabermos no universo
Hora somos tão pequenos que nos encantamos com a formação dos seres
Hora temos a necessidade de buscar sempre o máximo de poder e sabedoria
Hora percebemos que não pertencemos nem a nós mesmos e que não sabemos de nada
Hora ficamos inquietos com os problemas que existem no mundo
Hora nos escondemos da responsabilidade que temos de cuidar dos nossos irmãos
Hora estamos felizes com qualquer gol marcado e ou qualquer resultado eleitoral
Hora somos obrigados a engolir derrotas e mostrar nossa vergonha em público
Hora negamos a nós mesmos em algumas situações porque tememos os outros
Hora ignoramos tudo e a todos só porque precisamos de um pouco de felicidade pura
Hora somos tão vivos como se não notássemos nossa energia acabando
Hora somos tão desnecessários para nós mesmos que preferimos não existir
Hora somos tão essências para certas pessoas que nos acompanham
Hora somos tão ridículos e cometemos injustiças que não terão perdão
Hora somos domesticados e acabamos servindo de piada para qualquer outro palhaço
Hora somos eternos como o brilho das estrelas que nunca se apagam
Hora somos tão simples que podemos sumir em questão de segundos
Hora somos irredutíveis perante as males que a vida nos oferece
Hora temos segredos que acabam com nossas defesas e nos entregam ao mundo
Hora somos poetas e escritores completamente aborrecidos por paixões
E tem hora que somos apenas simples humanos que sofrem por diferentes razões.
José Borges.
,
Os animais estão aqui
Prontos para agir,
Mas não podem sentir
Nem podem sorrir.
Pois são programados
São homens fardados
Vestidos de Cinderela
Homens escravos...
Dessa máquina poderosa
Dessa face orgulhosa
Dessa lei promulgada
Dessa ordem vomitada
Que serve de sustento
Para esses jumentos
Que usam cabrestos
E não se olham no espelho
Para enxergarem o que são
Ou o que apenas mostra
O que cabe numa revelação.
São animais dementes
Ou homens sem serem gente,
Pois gente que é gente
Não se humilha a outra gente...
José Borges.
Escrito no dia 14 de janeiro de 2009.
Volte ao passado
E imagine como era o mundo
Como eram as crianças
Imagina que seu egoísmo
Logo se desfaz enquanto você dorme
Pense que as poucas palavras
Mesmas ditas em confissão
Serão teus escudos de guerra
E que nenhuma guerra é em vão.
Volte ao momento certo
Em que eu te machuquei
Na hora certa em que eu calei
Fiz-me de tolo, por não entender,
Que as borboletas não dançam
Apenas buscam o movimento como sobrevivência
Passeiam sobre nossa cabeça
Como as estrelas assistem ao sol nascer,
Pálidas, esperançosas assim como você.
Não grite para o mundo
Ele é estúpido demais para lhe entender,
Não vê o que ele fez com teus sonhos
Os destruiu, assim como a anda destrói um castelo de areia,
Veja as crianças correndo sobre corpos
Tão idênticos as seus pais, avos, tios, mães,
Sonhos destruídos apenas pelo interesse
Pela falta de amor nos corações.
Espere meu amigo
Que seu dia vai chegar
Não acredites nos imbecis que lhe cercam
Eles apenas querem roubar tua alma
Vender o teu orgulho e estraçalhar o amor que tu guardas no peito,
Vá com a delicadeza de uma simples planta que nasce
E cresça perante aos que não lhe dão respeito
Seja flexível, pois só assim saberás com quem andas,
Mas nunca, nunca deixe a essência do teu sujeito.
Volte amigo
E abrace tua namorada que ficou para trás
Abraça tua família tua casa
Sinta de novo a inocência de um beijo as escondidas,
Vá busque teus velhos segredos e teus desejos,
Deixa-se envolver pelo suave vento da brisa
E quando encontrar teu lugar de antes
Não esqueça de ir visitar os teus amigos
Mesmos que poucos, chatos, e loucos,
Ainda se recordam daqueles sonhos antigos...
José Borges.
,